“Frontier Firm”: Uma nova realidade para empresas com IA (e o que a comunicação tem a ver com isso)

Há uma fala muito conhecida de Sam Altman, CEO da OpenAI (empresa por trás do ChatGPT), na qual ele afirma que o pessoal do Vale do Silício espera que, a qualquer momento, apareça uma empresa de um bilhão de dólares formada por apenas uma pessoa assistida por inteligência artificial. O que para alguns soa como futurismo tem sido observado por outros como uma possibilidade cada vez maior, principalmente ao olharmos para as tendências de tecnologia nas organizações.
“Frontier Firm” é o termo de maior destaque em um relatório lançado pela Microsoft recentemente. Chamado “2025: The Year the Frontier Firm Is Born”, a pesquisa conversou com milhares de profissionais em 31 países e utilizou dados do LinkedIn e dos produtos da empresa para traçar um perfil do uso de IA nas organizações nos últimos meses e tentar prever como serão os próximos – especialmente dentro dessa nova realidade proposta já no título da publicação.
Há um ano, a edição desse mesmo relatório trazia outro tom: o de uma promessa prestes a ser cumprida. Chamado “AI at Work Is Here: Now Comes the Hard Part”, o estudo comunicou a forma como as plataformas de IA generativa (como ChatGPT) estavam sendo integradas ao trabalho por iniciativa dos colaboradores. Afinal, o cenário no qual essas plataformas chegaram apresentava índices alarmantes para a qualidade de vida e a saúde mental, com ganhos para lá de expressivos pela adoção de IA. Em 2025, a urgência por mudanças continua, e as organizações têm oportunidade de serem protagonistas nas transformações.
IA COMO ASSISTENTE
80% dos profissionais sentem que não têm tempo suficiente para realização de suas tarefas, como aponta o relatório. Eles são interrompidos, em média, 275 vezes por dia, e cerca de 58 mensagens são enviadas após o horário do expediente (um aumento de 15% em relação ao ano anterior). Há outra informação contida no relatório de 2024 que, infelizmente, não foi levada em consideração neste ano: 46% dos colaboradores enfrentaram o burnout naquele ano – e, tendo em vista o contexto apontado, essa situação não deve estar melhor em 25.
O estudo do ano passado mostrou que foi essa realidade que fez com que os profissionais adotassem as plataformas generativas em seus cotidianos, alegando principalmente a otimização de tempo. O uso de inteligência artificial como assistente trouxe uma surpreendente melhora na qualidade de vida dos colaboradores (ainda que 53% deles revelaram ter medo que a adoção dessas tecnologias faça com que eles pareçam substituíveis em suas funções). Estamos falando de 91% (!) dos entrevistados afirmarem que não só têm mais motivação para realizar seus trabalhos, mas também gostam mais de seus empregos quando usam IA.
Diante desses dados, muitas empresas começaram a entender o uso de inteligência artificial como parte integral do dia a dia dos colaboradores. E eis o momento que vivemos hoje.
FRONTIER FIRM + AGENT BOSS
Inteligências artificiais supervisionadas por pessoas: Esse é o panorama não apenas proposto, mas já realidade em várias organizações – para ser mais exato, em 24% das empresas que adotaram IA, de acordo com o relatório.
No mundo das Frontier Firms, cada profissional é também um gestor de agentes – isto é, de sistemas que integram diferentes plataformas de inteligência artificial -, uma atividade que já ganhou um apelido: Agent Boss. Isso significa delegar atividades que serão realizadas pelas máquinas, desenhar fluxos de trabalho que contem com automatização e, principalmente neste novo momento de transição, repensar o que significa o trabalho desempenhado por gente e o que deve ser feito por robôs.
82% dos líderes afirmam que 2025 é um ano crucial para a implementação de IA nas organizações, e 81% esperam que os agentes sejam integrados às suas equipes nos próximos 12 a 18 meses. A tecnologia vem com a possibilidade de criarmos um panorama diferente para os colaboradores, que têm a chance de contemplar fluxos de trabalho mais saudáveis quando assistidos por IA.
COMUNICAÇÃO EM AÇÃO
Em muitas empresas, fomos nós, comunicadores, os pioneiros na adoção de inteligência artificial. Isso porque o mercado desenvolveu as plataformas generativas para tarefas comuns ao nosso dia a dia, como criação e revisão de textos e imagens. Mas também pela altíssima demanda de trabalho que enfrentamos em um mundo onde tudo é mídia. Enfrentamos em primeira pessoa os desafios da constante criação de material, ou “conteúdo”, e fomos os primeiros a entender que todos precisam de assistência para atender as expectativas.
Durante os cursos da Escola Aberje, escutamos de vários comunicadores que eram deles também a responsabilidade de levar às organizações os aprendizados sobre essas ferramentas, para que elas pudessem ser adotadas em outras áreas. É mais uma responsabilidade, entre tantas outras, que cai sobre nossos ombros.
É nesse contexto que podemos (ou devemos?) colocar em prática nossa maior capacidade, que é a promoção de diálogos. É levantar informações, interpretar os dados e identificar lacunas de conhecimento, mas também acolher as dúvidas e inseguranças que um novo momento traz – principalmente quando o contexto do burn out que abraçou o ChatGPT ainda é uma realidade para tantos profissionais. Repito: Todos precisam de assistência.
Da mesma forma, é necessário propor discussões sobre a realidade que estamos prestes a viver, ou talvez já tenhamos começado. Por exemplo, o que eu preciso saber para me tornar um Agent Boss, ou para formar uma equipe com esse perfil? Essa realidade (já) faz sentido em nossa empresa? Ou, frente à ideia de uma organização de um bilhão de dólares e um só funcionário, como essa possibilidade molda nossa visão do que é uma empresa?
E como faremos para nos certificar que os novos assistentes e agentes serão utilizados para garantir melhores condições de trabalho para os profissionais? Ou vamos continuar tendo expectativas que pessoas tenham desempenho de máquina para, no futuro próximo, darmos apenas continuidade a esse ciclo ao adotar novas tecnologias?
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